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Projeto piloto sobre diagnóstico da hepatite Delta é reconhecido como ‘experiência exitosa’ pelo Ministério da Saúde

25/06/2026

Método diagnóstico molecular da carga viral da Hepatite Delta (HDV) foi desenvolvido pelo Laboratório de Virologia Molecular (LVM) da Fiocruz Rondônia e incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. A Hepatite Delta representa a forma mais grave das hepatites virais humanas. A elevada circulação do vírus HDV em áreas amazônicas torna indispensável o fortalecimento das estratégias de rastreio, diagnóstico molecular e monitoramento clínico, especialmente em populações vulneráveis e de difícil acesso geográfico.

Ao todo, 10 propostas foram selecionadas para premiação nacional, entre 40 inscritas por instituições de todo o país

Com a experiência intitulada: “Implantação e rastreamento do exame piloto de carga viral do Vírus da Hepatite D ou Delta (CV-HDV) no Sistema Único de Saúde (SUS)”, a pesquisadora em Saúde Pública e chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia (LVM), Deusilene Vieira Dall’Acqua, conquistou o 2º lugar no prêmio “Experiências Exitosas”, em Brasília-DF.

O anúncio ocorreu nesta quarta-feira (24/06), durante o “3º Seminário de Diálogos para a Eliminação das Hepatites Virais”, promovido pelo Ministério da Saúde. O evento reúne durante dois dias (24 e 25/06) pesquisadores, profissionais da saúde, gestores e instituições de referência, de todo o país, para discussões de estratégias voltadas ao fortalecimento da vigilância, prevenção, diagnóstico e cuidado das hepatites virais no Brasil.

Nesse contexto, a premiação destacou iniciativas inovadoras e de impacto, desenvolvidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecendo ações que contribuem para o avanço das políticas públicas de enfrentamento e eliminação das hepatites virais.

A experiência exitosa descreve os resultados das ações de rastreamento epidemiológico, diagnóstico molecular e acompanhamento clínico de pacientes desenvolvidas entre os anos de 2023 e 2026 em áreas de alta endemicidade para o vírus da Hepatite D (HDV) em diferentes localidades da Amazônia. As atividades abrangeram de forma integrada o período anterior, concomitante e posterior à implementação do exame molecular de carga viral do vírus HDV, evidenciando o impacto da incorporação – pelo Ministério da Saúde – dessa tecnologia na vigilância epidemiológica e na assistência especializada no SUS.

Para Deusilene Vieira,

esse reconhecimento do Ministério da Saúde, consolida uma trajetória de pioneirismo científico, vigilância e busca pelo fortalecimento do diagnóstico molecular das hepatites virais no Brasil, especialmente no contexto amazônico, onde estão localizadas áreas de elevada incidência para as hepatites virais.

Ao todo, 10 propostas foram selecionadas para premiação nacional, considerando iniciativas estratégicas para o fortalecimento das ações de vigilância, assistência, diagnóstico e eliminação das hepatites virais no país.

Pioneirismo em estudos das hepatites virais; expansão da vigilância e monitoramento na Amazônia Ocidental

Ao longo dos últimos 20 anos, o Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia tem desempenhado papel estratégico no desenvolvimento de ações de vigilância epidemiológica, molecular e genômica das hepatites virais na Amazônia Ocidental, com destaque para a Hepatite B (HBV) e Hepatite Delta (HDV), consideradas de elevada importância para a saúde pública na região amazônica.

Laboratório de Virologia Molecular é pioneiro em estudos sobre hepatites virais na Amazônia

O método diagnóstico molecular, que deu origem à experiência exitosa premiada em Brasília, foi desenvolvido pelo LVM e incorporado ao SUS, por meio de Projeto Piloto estabelecido em parceria com o Ministério da Saúde em 2024, conforme NOTA TÉCNICA Nº 176/2024-CGHA/DATHI/SVSA/MS.

A iniciativa consolidou o LVM/Fiocruz Rondônia como Laboratório de Referência para o Diagnóstico Molecular da Hepatite Delta no país, que passou a integrar as ações da Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência (CVSLR) da Fundação Oswaldo Cruz. Conta ainda com apoio institucional da coordenação da Fiocruz Rondônia para a execução de atividades voltadas à vigilância, inovação diagnóstica e ampliação do acesso à saúde, especialmente em localidades mais distantes.

A iniciativa recebe reforço da equipe clínica do Ambulatório Especializado em Hepatites Virais Crônicas do estado de Rondônia, sob a direção clínica do médico infectologista e pesquisador em Saúde Pública, Juan Miguel Villalobos-Salcedo, que dá prosseguimento ao acompanhamento clínico dos pacientes diagnosticados, monitoramento da resposta terapêutica e assistência aos indivíduos infectados pelo vírus HDV.

Nesse conjunto de ações, destaca-se ainda a parceria com a Coordenação Estadual das Hepatites Virais da AGEVISA, que tem sido fundamental para a ampliação da testagem, vigilância e monitoramento nos demais municípios do estado de Rondônia, promovendo maior capilaridade e acesso aos serviços especializados.

A expansão das atividades vai além de Rondônia, por meio de colaborações estabelecidas com instituições de referência na Amazônia Legal, incluindo o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Lábrea – Amazonas, e o Centro de Infectologia Charles Mérieux da Fundação Hospital Estadual do Acre (FUNDHACRE), no estado do Acre.

Parcerias que possibilitaram ampliar o acesso ao diagnóstico molecular, acompanhamento clínico e ações de vigilância epidemiológica em populações historicamente vulneráveis e residentes em áreas de difícil acesso, como os municípios de Lábrea (sul do Amazonas), Guajará-Mirim em Rondônia (na fronteira do Brasil com a Bolívia) e Cruzeiro do Sul, no Acre. Essas são áreas reconhecidas pela elevada endemicidade para Hepatite Delta e pela vulnerabilidade epidemiológica das populações atendidas, incluindo os povos originários.

Ação de rastreio e monitoramento realizada em junho de 2024, em comunidades ribeirinhas do rio Purus (Lábrea-Amazonas)

Implementação do exame molecular é marco de inovação no SUS

Os resultados apresentados demonstram que a disponibilização do diagnóstico molecular do vírus da Hepatite Delta (CV-HDV) na rede pública de saúde, ampliou significativamente a capacidade de confirmação diagnóstica, acompanhamento terapêutico e estratificação clínica dos pacientes infectados pelo HDV.

Atualmente, encontra-se em curso o processo de transferência de tecnologia do exame molecular para a unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). O objetivo é ampliar a capacidade produtiva, padronização em escala industrial e garantir a sustentabilidade da oferta diagnóstica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em um contexto mais amplo, a internalização do diagnóstico molecular do vírus da Hepatite Delta (CV-HDV) por Bio-Manguinhos fortalece as condições para a sua futura incorporação formal em nível nacional, ampliando cada vez mais o acesso ao diagnóstico molecular da Hepatite Delta em regiões endêmicas e remotas, especialmente na Amazônia Legal.

Além de contribuir para a sustentabilidade das ações de vigilância epidemiológica e consolidação de uma linha de cuidado estruturada, alinhada às diretrizes de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030 e em consonância com as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O coordenador da Fiocruz Rondônia, Jansen Medeiros, enfatizou o trabalho de vanguarda da instituição no estudo sobre hepatites e ressaltou o engajamento interinstitucional, que culminou no projeto piloto, hoje, reconhecido pelo Ministério da Saúde.

Esse reconhecimento é de extrema relevância científica, epidemiológica e social, e pode ser traduzido pelo impacto das ações de rastreio, monitoramento dos pacientes e fortalecimento do SUS, especialmente em áreas de extrema carência.

afirmou Jansen Medeiros.

Texto: José Gadelha

Fotos: José Gadelha/Adrhyan Araújo e ASCOM/MS

 

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