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Egressos do PGBIOEXP são contemplados no I Prêmio Oswaldo Cruz Rondônia de dissertações e teses

08/10/2026

Premiação comemora os 25 anos do Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental e dá visibilidade ao potencial de inovação científica e à relevância social das pesquisas.

A Coordenação do Prêmio Oswaldo Cruz Rondônia de Dissertações e Teses divulgou o resultado final da premiação que celebra os 25 anos do Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental (PGBIOEXP), comemorados em 2026. Foram contemplados seis egressos nas linhas de pesquisa: Relações Parasita-Hospedeiro e Biotecnologias Aplicadas à Saúde.

Na linha de pesquisa Relações Parasita-Hospedeiro, as egressas de mestrado Edilene Pereira Pimentel e Stéfanny Saraiva dos Santos, orientadas pela pesquisadora Deusilene Souza Vieira Dall’Acqua, conquistaram o primeiro e o segundo lugar (Menção Honrosa), respectivamente.

Já no doutorado, Jackson Alves da Silva Queiroz, também orientado por Deusilene, e Flávia Geovana Fontineles Rios, orientada pela pesquisadora Genimar Rebouças Julião, foram agraciados com o primeiro e segundo lugar.

Na linha de pesquisa Biotecnologias Aplicadas à Saúde, as egressas de mestrado Karen Almeida da Silva, que foi orientada pela pesquisadora Carolina Bioni Garcia Teles, e Ketlei Monteiro Tavares, orientada pela pesquisadora Juliana Pavan Zuliani, foram contempladas com o primeiro e o segundo lugar.

Os egressos de doutorado Alex Augusto Ferreira e Ferreira e Hallisson Mota Santana, também orientados por Juliana Zuliani, foram os agraciados em primeiro e segundo lugar, nessa linha de pesquisa.

Pesquisas

Para Alex Augusto, que propõe a fotobiomodulação por LED como estratégia terapêutica complementar à soroterapia em pacientes acidentalmente envenenados,

é muito gratificante ver esse trabalho reconhecido e, sobretudo, saber que ele pode contribuir para o avanço do conhecimento em uma área de grande relevância para a saúde pública. Espero que os conhecimentos produzidos a partir desta pesquisa possam contribuir para o desenvolvimento e a futura implementação de uma estratégia terapêutica coadjuvante e inovadora para o tratamento dos acidentes ofídicos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando a gravidade e a complexidade desse importante problema de saúde pública.

Hallisson Santana comenta que ter a oportunidade de estudar o potencial de anticorpos produzidos por camelídeos em neutralizar toxinas de serpentes representa um avanço que pode se tornar um tratamento adjuvante ao tratamento disponível atualmente no SUS para acidentes ofídicos.

Desenvolver o meu projeto de doutorado foi uma experiência de grande impacto na minha jornada acadêmica. Por ter ido direto ao doutorado, sem passar pelo mestrado, me deparei com muitos desafios a serem superados, entretanto, por ter adquirido um vasto conhecimento das técnicas aplicadas no laboratório de Imunologia Celular Aplicada à Saúde, durante minha iniciação científica, obtive a expertise necessária para conseguir resultados importantes na minha área de pesquisa,

argumenta.

Karen Almeida buscou compreender como a cloroquina atua contra o parasito causador da leishmaniose tegumentar. Esse medicamento, bastante conhecido pelo seu uso no tratamento da malária, já havia apresentado resultados positivos contra a Leishmania em estudos anteriores. A partir disso, ela investigou os possíveis mecanismos envolvidos na morte do parasito após o tratamento com a cloroquina.

Segundo ela,

os resultados obtidos foram promissores e levantaram diferentes hipóteses sobre a forma como esse medicamento atua sobre o parasito. Com isso, espero poder contribuir para novas pesquisas e, futuramente, para avaliar a possibilidade de reposicionamento da cloroquina no tratamento da leishmaniose, uma doença negligenciada que ainda tem grande impacto na região Norte do Brasil.

Ketlei Monteiro Tavares em sua pesquisa de mestrado investigou como a saliva dos carrapatos Amblyomma cajennense e Amblyomma sculptum interferem na resposta do sistema imunológico humano. Os resultados de sua pesquisa demonstram que a saliva dessas espécies de carrapatos consegue modificar diferentes respostas imunológicas, e que cada espécie apresenta efeitos distintos.

Esses achados nos ajudam a compreender melhor como os carrapatos interagem com o organismo humano durante a sua alimentação, conhecimento que se torna valioso na compreensão de fatores associados à inflamação e à resposta imunológica,

explica.

A egressa do doutorado Flávia Geovana Fonteneles Rios abordou em sua pesquisa a vigilância integrada de patógenos de relevância para a saúde humana, utilizando mosquitos como sentinelas para o xenomonitoramento (técnica de vigilância que consiste na análise do sangue de insetos hematófagos – no caso dos mosquitos) para detectar o DNA ou RNA de microrganismos. Ela investigou a circulação de arborvírus (dengue, Zika, chikungunya, Mayaro e Oropouche), Plasmodium spp. (agente etiológico causador da malária) e tripanossomatídeos (associados à doença de Chagas e à leishmaniose), e identificou possíveis hospedeiros vertebrados e vetores envolvidos na transmissão desses microrganismos no município de Porto Velho-RO.

Essa conquista carrega um significado especial, porque sei que a partir desses dados posso contribuir para o desenvolvimento e o fortalecimento da ciência na Amazônia,

comemorou Flávia Geovana.

Jackson Alves da Silva Queiroz, também egresso do doutorado, se debruçou sobre uma das formas mais graves das hepatites virais: a hepatite Delta, considerada endêmica na região amazônica. Ele desenvolveu uma tecnologia diagnóstica que permite quantificar a carga viral e acompanhar de forma adequada a evolução da infecção, melhorando a resposta ao tratamento. A tecnologia foi incorporada pelo Ministério da Saúde ao SUS ainda em 2024. A tese desenvolvida foi uma das premiadas no Prêmio Capes de Teses deste ano.

Para Jackson,

o aspecto mais importante é que a pesquisa conseguiu ultrapassar os limites de um laboratório, chegando à implementação de um método testado e validado como o primeiro diagnóstico molecular para a hepatite Delta no SUS.

Também na área das hepatites virais, Stéffanny Saraiva dos Santos investigou fatores epidemiológicos e clínicos associados à infecção por hepatite B e D, correlacionando o perfil genético dos indivíduos avaliados com a progressão da doença hepática. Receber a premiação

é um estímulo a continuar acreditando na pesquisa científica como instrumento de transformação social,

declarou.

A egressa do mestrado Edilene Pereira Pimentel estudou a relação de indivíduos com sintomas febris agudos com a circulação de espécies negligenciadas de Alphavirus na região. O estudo comprovou, por meio de análise filogenética e diagnóstico molecular em amostras de indivíduos avaliados, a presença do arbovírus nem sempre detectável pelos métodos diagnósticos de rotina.

Segundo Edilene, essa premiação é mais do que uma conquista individual,

é o reconhecimento de todo o trabalho, dedicação e aprendizado que fizeram parte de minha trajetória. É uma satisfação poder ver esse percurso sendo valorizado e, ao mesmo tempo, um incentivo para seguir avançando na pesquisa e na construção de uma carreira acadêmica comprometida com a ciência e com a sociedade.

A pesquisadora em Saúde Pública Juliana Pavan Zuliani e coordenadora do PGBIOEXP na Fiocruz Rondônia comemorou os resultados da primeira edição do Prêmio Oswaldo Cruz Rondônia de Dissertações e Teses, especialmente no ano em que o Programa completa 25 anos.

ele demonstra que é possível produzir, a partir de Rondônia e da Amazônia, ciência de excelência, inovadora, relevante e comprometida como desenvolvimento da região.

Premiação

Além de certificados de reconhecimento, a premiação consiste em apoio financeiro para custeio de despesas acadêmicas no valor de até R$ 3.500,00 para a tese classificada em 1º lugar e até R$ 2.000,00 para a dissertação classificada em 1º lugar.

Texto e fotos: José Gadelha

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